segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Todo mundo está cansado de saber que é preciso consumir menos. Mas é fácil falar, difícil é fazer. Quem nunca se arrependeu por ter comprado mais do que precisava? Aquelas três sandálias iguais que você levou só porque estavam em promoção, aquele cinto excêntrico que você nunca teve coragem de usar, e mesmo aquelas frutas que estão murchando na geladeira.
Essas coisas acontecem com todo mundo, e são sintomas do consumismo. Esse fenômeno que afeta a nossa geração está acabando com o planeta. Infelizmente governos e empresas estimulam e atrelam seu crescimento ao nível e ou à capacidade de consumo da população. Por mais de século essa tem sido a mola propulsora do chamado desenvolvimento. Até quando vamos acreditar nessa história da carochinha? Não acha que já está mais do que na hora de aposentar esse modelo arcaico de desenvolvimento?

FIB – Felicidade Interna Bruta

Desenvolvimento no sentido amplo e real da palavra não se resume a crescimento do nível de consumo. Felizmente, temos sinais de que as coisas estão começando a mudar. Prova disso é o burburinho que o pequeno reino do Butão gerou ao criar uma alternativa ao PIB (Produto Interno Bruto, que nas últimas décadas tem sido o índice usado para se avaliar o nível de desenvolvimento de um país). Os butaneses criaram o índice FIB – Felicidade Interna Bruta, que chocou muita gente por causa da simples questão: afinal, um Estado deve trabalhar por acúmulo de dinheiro ou para o bem-estar das pessoas? Dinheiro, aliás, não deveria servir à humanidade, para dar mais conforto e qualidade de vida? Por que foi que ele passou de ferramenta a quase divindade?
Enfim, enquanto estamos nesse mundo em transição, importa-nos tomar o cuidado de refrear nosso ímpeto de consumo, tão estimulado para se criar uma demanda de necessidades que de fato não existem. Até aí todos sabem, não é mesmo? Mas afinal, como acabar com o consumismo?

No interior tem um ditado que diz “não se cutuca onça com vara curta”. Fazendo uma adaptação para o tema, aqui vai uma grande sugestão “não gaste o seu tempo olhando lojas”. Explicando. Muita gente adora gastar o tempo livre passeando pelas lojas. E raramente quando as pessoas estão nesse tipo de situação, conseguem resistir e sair de um shopping ou de uma loja sem uma ou duas sacolas. As vitrines são lindas, recheadas de coisas feitas para serem atraentes. Mas isso não significa que você precise delas. Nessas horas que compramos coisas por impulso e pelo simples ato de comprar, na maioria das vezes levamos para casa coisas sem necessidade e que rapidamente serão descartadas.


Quer passear? Que tal outro lugar onde não exista a pressão do “me compra, me compra, me compra!” ? Uma praça, uma parque, um museu ou mesmo um restaurante ou um cinema. O ideal é que as pessoas encontrem formas mais agradáveis de passar o tempo. Se você insiste em passar o tempo consumindo (depois de procurar um analista), que tal evitar consumir produtos, e em vez disso consumir serviços?
Os serviços, em geral, tem um impacto menor sobre o meio ambiente se comparado com o processo industrial tradicional de fabricação das coisas. Nos serviços, um mesmo equipamento é capaz de atender a um número maior de pessoas o que reduz o consumo, o volume de lixo e a demanda por matéria prima. Um exemplo é o serviço de taxi. Se cada usuário optar por usar o seu carro já sabemos dos problemas. Nesse sentido, tem crescido o movimento de Consumo Colaborativo, sobre o qual escreveremos em outro post. Apenas para dar uma pitada do que se trata,é uma nova forma de economia que parece estar surgindo, baseada não no ter individualmente, mas no ter e compartilhar coletivo. É o caso das pessoas que alugam quartos para estudantes ou turistas, do Zipcar, que na Europa funciona alugando carros por preços módicos para as pessoas passearem, irem para o trabalho, etc, evitando que todos precisem de possuir um veículo.

Dicas para fugir das armadilhas do consumo

Sim, temos boas oportunidades surgindo. E, para fazermos a nossa parte, vamos dar algumas dicas para você reduzir o consumo e seguir a nova máxima: conseguir mais com menos. Experimente e torne-se mais leve e feliz.
  • Pense 3 vezes antes de comprar: 1. Você precisa? 2. Você realmente gosta? 3. Serve para você neste momento?
  • Prefira comprar coisas duráveis. Podem custar um pouco mais agora, mas não irão para o lixo tão cedo.
  • No caso de roupas e decoração, procure comprar produtos neutros, básicos e versáteis, de que você não vai enjoar logo. Para personalizar, use objetos e acessórios diferentes e coloridos, que você trocar de vez em quando. Isso faz seu guarda-roupa ou a decoração de sua casa tornar-se muito mais eficiente com menos.
  • Passeie menos no shopping, e mais nos parques e praças da cidade. Assista menos televisão. Quanto mais você se expuser a propagandas, mais vai ter a falsa impressão de que precisa de coisas novas. As vitrines são feitas para serem bonitas. Isso não quer dizer que você vai ser mais feio se não tiver aquele casaco da moda.
  • Consuma mais serviços e menos produtos.
  • Adote ações de consumo colaborativo, troca e reuso.
  • Faz parte da natureza humana querer renovar, e isso se expressa na vontade de ter roupas e objetos novos. Em vez de comprá-los, que tal dar um upcycle nas suas coisas? O Coletivo Verde está cheio de boas idéias para você dar novos usos a suas coisas.



       Gustavo Cerqueira N° 20 2 EM

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Alerta!

CONSUMISMO COMPULSIVO

Um mal do qual eu não sofro, mesmo, é do consumismo exagerado. Não que eu seja melhor ou superior às outras pessoas, nada disso (tenho minhas neuras), mas acho que este específico "vírus" não me pegou, talvez por eu não ter a predisposição. Acho que aprendi a dar valor ao meu dinheiro (na verdade eu tenho "dó" de gastá-lo). E depois, não faz parte mesmo da minha personalidade. Sou mais ligada ao que é simples, ao "ser" e não ao "ter", à natureza. Claro que tenho que consumir, na nossa sociedade é impossível não consumir nada! Mas procuro consumir aquilo que necessito, que é útil e que posso pagar. Claro que isso não me impede de fazer umas extravagâncias de vez em quando! Mas o perigo está por todos os lados... Se a gente não se policia, acaba caindo na armadilha do consumismo, que pode virar doença, e muito séria.

Este é um assunto atual, gostaria de alertar as garotas sobre os riscos do consumismo exagerado, já que este atinge principalmente as mulheres. E é aí que devemos redobrar a atenção, para não acabarmos sendo vítimas inconscientes da mídia.

Porque o consumismo atinge principalmente as mulheres?

Bom, desde pequenas as mulheres são incentivadas e impulsionadas às compras em nossa cultura. O consumismo atinge seu auge entre a adolescência e a fase adulta, quando a mulher se torna financeiramente independente.

O consumismo também pode ser usado para remediar carências afetivas e dificuldades de relacionamento. É como se, diante de situações que deixem a pessoa frágil e ansiosa, ela tente preencher a falta de relações mais profundas e complexas com objetos, já que estes não rejeitam nem decepcionam.

O consumidor em potencial só se satisfaz com a compra do objeto de desejo, mas este perde o valor tão logo depois de adquirido. O consumidor então elege outro objeto de desejo e assim vai consumindo compulsivamente, como se quisesse preencher um vazio, um buraco sem fundo, na tentativa vã de suprir suas carências emocionais.

O consumismo também é uma forma de se encaixar em determinado grupo, de obter uma identidade (ainda que falsa e alienada), de ser aceita e notada, o que no fundo remete à uma carência afetiva e à baixa auto-estima.


Não que os homens não sofram desse mal. Muito pelo contrário!

Homens estão mais vaidosos e consumistas

Há dez anos, um a cada 100 homens usava algum tipo de cosmético. Hoje, a proporção é de um a cada 15. Perfumes e colônias são os mais procurados, mas produtos para cabelo e cremes hidratantes tem avançado na preferência.

O estudo do IBOPE Inteligência mostra um crescimento surpreendente do público masculino que encara as compras no supermercado. Os números revelam que aproximadamente 44% do homens brasileiros vão às grandes redes à procura de boas marcas e produtos com sabores requintados na hora de preparar as refeições. Quando se trata de compras na internet, os homens gastam 50% a mais que as mulheres.

Acredito que TODOS devemos ficar atentos!!!

Suellen Silva Martins  N°43  2°E.M.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O consumo te consome





Há uma relação estreita entre a sobrecarga de trabalho, o consumo em excesso e o desequilíbrio emocional. Eu poderia até dizer que essas seriam três grandes marcas dos tempos pós-modernos, de forma que a rotina profissional estressante, o impulso consumista e as emoções desbalanceadas são partes de um ciclo em cadeia que se retroalimenta.
Somos cada vez mais exigidos em termos de produção, principalmente a produção profissional, que muitas vezes ultrapassa os limites aos quais deveria estar contida e, assim, começa a afetar a vida pessoal, as relações e até mesmo a família. Claro que a ansiedade, o estresse e o desequilíbrio emocional – que são hoje problemas comuns de milhões de pessoas – têm muitas vezes origem nessa ambiência social que impõe demandas cada vez mais agressivas de superação constante, que na maioria das vezes visa apenas ao lucro exorbitante do ideal de acumulação do capital. Ao mesmo tempo, como promessa de alívio de toda essa situação angustiante, nos é apresentado um estilo de vida baseado no consumismo e estimulado pelo acúmulo de coisas materiais.
Eu não sei se vocês percebem a conexão: a sobrecarga de trabalho pautada na intenção de ganhar mais dinheiro para poder consumir mais, mas que gera problemas de ordem emocional, os quais por sua vez tentamos solucionar através da promessa de felicidade que existe no consumo, o que acaba gerando dependência do excesso de trabalho.
Parece que o modelo do super profissional, do “workaholic” que produz como máquina e se entrega sem limites ao jogo de resultados, têm se difundido de maneira traiçoeira em nossa cultura nas últimas décadas. De maneira habilidosa, uma promessa muito influente nos tem sido apresentada de forma sutil, a de que uma carreira profissional extremamente bem sucedida é, sem dúvida, o aspecto mais importante em nossas vidas. Por “bem sucedida” entenda-se uma trajetória onde se acumula a maior quantidade de dinheiro e de coisas materiais, e também a quantidade de influência pessoal. Entenda-se a obsessão por lucro e fama. Nesta perspectiva deformada da realidade, o termômetro que mede sua ascensão chama-se consumo. Qual a marca do seu carro? Da sua roupa? Quanto? Quanto? Essa obsessão por quantidade é o que aliena. A alienação chega ao ponto de se valorizar e discutir mais os “direitos do consumidor” do que os direitos humanos, tendo em vista que em poucas décadas o código do consumidor recebeu mais atenção para ser alterado e aperfeiçoado do que os ideais humanitários receberam em toda sua história de existência. Óbvio que a grande estratégia de alimentação do mercado consumidor gira em torno da formação de grandes consumidores em potencial.

by: Bianca Ortega

Necessidade X Consumismo

Quantas vezes você já comprou um produto que se quer utilizou?, ou usou poucas vezes?


O consumismo muitas vezes nos leva a fazer maus negocios e a ter perdas financeiras. Precisamos analisar com cuidado os planos de pagamentos ofertados pelos comeriantes, verificarmos exatamente qual a melhor proposta a nós consumidores e principalmente ver se determinado produto é realmente necessario.

Por que consumimos? Em princípio deveria ser para a satisfação de nossas necessidades. Mas a questão é: quais são nossas necessidades? Notamos que aquilo que antes era considerado como necessidade está sendo confundido com desejo. Hoje imaginamos ser uma necessidade termos um celular novo a cada evolução que estes aparelhos apresentam.Ter um tênis cheio de "qualidades" que a publicidade nos apresenta, chique e moderno. Enfim, temos que adquirir cada vez mais, para mostrarmos que estamos inseridos na sociedade. Mas, será que isso é o que realmente importa? Será que necessitamos ter todas essas coisas? Será que não perdemos um pouco a noção do que é realmente necessário e deixamos de nos perguntar coisas simples tais como: qual é a utilidade desse produto? É necessário trocar o aparelho celular, só porque o fabricante lançou outro no mercado mais moderno? Por que priorizar a marca na compra de um tênis?

A midia é uma das grandes aliadas nesse consumismo exorbitante, é um dos meios de comunicação que mais aliena a população, fazendo com que comprem a maioria dos produtos que são lançados, como dito anteriormente muitas vezes sem a necessidade. Alem disso muitos desses produtos  não fazem tudo o que realmente prometem, e o consumidor  acaba sendo enganado.

Já a necessidade é considerado tudo aquilo que é necessario para a sobrevivencia de um ser, como por exemplo alimento, aguá.... não aquilo que as pessoas acha que são como celular, carro, roupas e tenis de marca, tv's, e muitos outros aparelhos tecnologicos....isso não passa de coisas que tornam nossas vidas melhores, mais prazerosas e mais confortaveis, mais poderiamos muito bem viremos sem como antigamente não existia nada disso e as pessoas viriam muitoo bem, um exemplo nossos avós e bisavos, esse mundo tecnologico de hoje para eles é muito estranho e diferente, porque antes eles não tinham acesso a nada disso, muitas coisas não existiam e o que já havia cido criado era muito caro e não era acesivel as familias da classe baixa.


Suzana Monteiro         N° 44          2°EM

Sátira ao consumismo

Todos nós temos a consciência que a propaganda é alma do negócio
Independente do lugar onde estão se é em casa, no ambiente de trabalho ou na escola, ou em revistas, rádios, internet, jornais, televisão, constantemente as pessoas são atraídas pelo consumismo. Algumas sentem certa necessidade de consumir determinados produtos.

 A qualquer lugar que as pessoas olham então estampadas às propagandas, umas em lugares estratégicos ao campo de visão, outras em outdoors, amplamente sendo estudados para servir as necessidades de consumo dos humanos. 

As necessidades que as pessoas sentem se transformam em desejos que ocasionam as tensões, que vão dando lugar as ações, que como satisfação são feitos os resultados. Esse mecanismo citado é o mais complexo que aparenta. 

A maioria das pessoas não estão satisfeitas com o que alcançaram, estão sempre a procura de novas necessidades. Muitas vezes são realizadas as necessidades e em seguidas surgem outras necessidades. As necessidades das pessoas são ilimitadas, mas já os recursos são limitados, muitas necessidades que a pessoas tem, são consideradas artificiais geralmente estimuladas por quem tem a intenção de vender. O que torna as necessidades artificiais são os modelos, ou cores, ou marcas. 

SÁTIRA!
Um filme lançado no final de 2010 faz uma sátira a todo esse consumismo e suas consequências  O nome dele é "Amor por contrato".

A Trama se passa em uma cidadezinha muito tranquila onde o rendimento anual é de 300 mil dólares por ano. A suposta “família” é na verdade uma divisão encarregada de introduzir produtos na vizinhança(Pensou numa família perfeita? Os Jones, é claro. Gente bonita, elegante, educada, sempre vestida impecavelmente, dirigindo os melhores carros, morando numa mansão decorada com tudo do bom e melhor. Ninguém consegue ser melhor do que eles)  e causar um “efeito dominó” para que os produtos sejam vendidos!

Na Trama, os resultados e as conseqüências de consumo desenfreado e a procura de Status vão aparecendo.

O trailer do filme está abaixo:



BRUNA VALHARINI ARAÚJO   Nº 07   2ºEM

A armadilha do consumo.


O consumo exagerado de certos produtos é uma marca cultural da sociedade contemporânea, onde prevalece a regra do “ter pra ser”. Essa cultura ganha força com a mídia que relaciona os produtos a sensações ou atributos de natureza abstrata como felicidade, poder, sensualidade etc. Esse consumo desmedido, associado à ideia de prazer a todo custo, pode se tornar uma disfunção patológica. Nesse caso, o tratamento indicado é o psicoterápico ou, dependendo da gravidade do problema, o psiquiátrico. Resumindo, somos escravos do consumismo… o que leva muitas pessoas a desesperarem e a endividarem-se em prol desta atividade prejudicial (quando não necessária)…
Nos dias de hoje, o consumismo tornou-se um hábito e inconscientemente as pessoas deixam-se levar pelo que está na moda, pela publicidade… e por vezes, consomem determinado produto, porque o amigo ou o vizinho comprou e até que parece interessante, mas quando a pessoa tem o produto em sua posse, chega à conclusão que nem é assim tão útil, e põe para o lado. 

O psiquiatra Sergio Zaidhaft, presidente da Comissão de Bioética do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ, e Lúcia Novaes, professora da disciplina Terapia Comportamental do Instituto de Psicologia da UFRJ vão falar um pouco sobre esse tema.  
Sergio Zaidhaft
Presidente da Comissão de Bioética do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ
“Atualmente temos um estímulo ao esse consumismo exagerado, isso faz com que as pessoas acreditem que somente irão encontrar prazer nas coisas materiais, preenchendo seu vazio sentimental.
A cultura sob a qual nós vivemos imprime valores e necessidades. A mídia influência a criação de necessidades desnecessárias. Aliada a isso, está a estratégia dos produtores de terem produtos com vida útil extremamente baixa, estimulando o consumo contínuo, pois o produto de melhor qualidade é sempre o que ainda está por vir.
Entretanto, o preenchimento de um vazio existencial através do consumo desmedido é temporário, pois a sensação de prazer que se tem no ato de consumir é efêmera. Esse vazio, portanto, nunca se completa e as pessoas ficam cada vez mais desesperadas por um algo que preencha completamente, o que nunca acontece.
Quando a busca pelo prazer através do consumo chega a um estágio crítico a pessoa passa a viver em função disso, em detrimento das outras questões de sua vida. Já é hora de pedir ajuda! Isso vale para qualquer tipo de consumo exagerado seja cigarro, comida, drogas ilícitas, internet, jogo, qualquer coisa que impeça a pessoa de manter uma relação de satisfação com os outros e com o mundo.”

 
Lúcia Novaes
Professora da disciplina Terapia Comportamental do Instituto de Psicologia da UFRJ
“O alto nível de stress associado com a mídia e seus atrativos e a influência cultural podem estar contribuindo para o aumento nos índices de certas patologias ligadas ao consumo.
Podemos delimitar três tipos de consumo. No que se refere ao comprar compulsivo, trata-se de um sintoma de um transtorno de controle do impulso que pode se manifestar em compras ou em outra área como jogo patológico, comer compulsivamente, por exemplo. Podemos considerar também o consumo de drogas, que está ligado aos transtornos de ansiedade, como fobia social e ansiedade generalizada, como associadas, além da depressão. E, o consumo alimentar,   pensando em transtornos alimentares como anorexia nervosa e bulimia. Também nesse sentido, pode-se pensar em doenças físicas como aquelas que têm relação com o consumo excessivo de certos alimentos, como sal, gorduras e açúcar. Nesse caso, podemos falar em hipertensão, problemas cardíacos e diabetes.  
Se uma pessoa, ao se informar, perceber que está sofrendo de uma dessas doenças, deve procurar profissionais especializados no tratamento daquela doença. Se alguém perceber que outra pessoa está sofrendo de uma dessas doenças, e se sentir a vontade pra isso, pode conversar com a pessoa sobre as informações que tem a respeito. Ou ainda, pode indicar alguma literatura para que a pessoa possa se esclarecer a respeito e decidir sobre o que gostaria de fazer.
O tratamento indicado nesses casos, como no caso de transtornos emocionais em geral, é a realização de psicoterapia e, em alguns casos, tratamento médico com psiquiatra ou outra especialidade. No caso de doenças físicas ligadas ao excesso de consumo, muitas vezes o tratamento deve ser multidisciplinar com psicoterapia e tratamento médico.”  



Thais M. Delmondes - n°45      2° EM








Consumismo de jovens no século 21

Consumismo de jovens no século 21 

Eles gastam muito
Com um apetite consumista maior que
o da média da
 população, o jovem brasileiro
sabe onde quer gastar e ainda influencia as
compras da famíli

São adolescentes, mas pode chamá-los de maquininhas de consumo. Um estudo realizado com garotas e rapazes de nove países mostra que no Brasil sete em cada dez jovens afirmam gostar de fazer compras. Desse grupo de brasileiros, quatro foram ainda mais longe – disseram ter grande interesse pelo assunto. O resultado da pesquisa, que tomou como base um trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) chamado Is the Future Yours? (O Futuro É Seu?), foi significativo: os brasileiros ficaram em primeiríssimo lugar no ranking desse quesito, deixando para trás franceses, japoneses, argentinos, australianos, italianos, indianos, americanos e mexicanos. Ou seja, vai gostar de consumir assim lá no shopping center.


Pedro Rubens

E não precisa nem mandar, porque a turma vai mesmo. Outra pesquisa, feita pelo Instituto Ipsos-Marplan, constatou que 37% dos jovens fazem compras em shoppings, contra 33% dos adultos. Nem sempre os mais novos adquirem produtos mais caros, mas, proporcionalmente, têm maior afinidade com as vitrines. A lista de vantagens dos adolescentes sobre outros públicos é de tirar o fôlego: eles vão mais vezes ao cinema, viajam com maior freqüência, compram mais tênis, gostam mais de roupas de grife – mais caras que as similares sem marca famosa –, consomem mais produtos diet, têm mais computadores, assistem a mais DVDs e vídeos e, só para terminar, são mais vorazes na hora de abocanhar balas, chicletes e lanches. Não é à toa que a falência antes do fim do mês é maior entre os jovens: invariavelmente atinge quase a metade deles, que estoura a mesada ou o salário.

O poder dos adolescentes sobre o mercado vai mais longe ainda, mesmo que eles não dêem a mínima para abstrações como "mercado". Costumam, por exemplo, aparecer com mais assiduidade no balcão. Pessoas com menos de 25 anos trocam de aparelho celular uma vez por ano (as mais velhas, a cada dois anos). Em relação às bicicletas, só para citar mais um exemplo, a situação é semelhante. Os adolescentes não são os maiores compradores do setor, mas aposentam uma bike a cada quatro anos. Os mais velhos só mudam de selim de sete em sete anos. Diante de tantas evidências, não causa surpresa que o gasto médio das famílias brasileiras seja maior nas casas em que moram adolescentes de 13 a 17 anos. Nesses domínios, a lista dos cinco produtos mais consumidos traz, em primeiro lugar, o leite longa vida. Depois vêm os refrigerantes. Nos lares com jovens entre 18 e 24 anos, a hierarquia é surpreendente. O refrigerante lidera o ranking, seguido por leite, óleo vegetal, cerveja e café torrado – o que explica o fato de a Coca-Cola ter no Brasil seu terceiro maior mercado em todo o mundo.
O poder de consumo dos jovens é um filão que anima vários setores da economia. Há em curso uma corrida para conquistar o coração dessa rapaziada (e o bolso dos pais). As grandes marcas desenvolvem estratégias milionárias para tornar esse público fiel desde já. A maior parte do que se produz no mercado publicitário, que movimenta 13 bilhões de reais por ano, tem como alvo a parcela de 28 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 22 anos. É esse grupo que fornece boa parte do ideário da propaganda, enchendo os anúncios com mensagens de liberdade e desprendimento. Mostra-se extraordinária também a influência que essa molecada exerce sobre as compras da família. Oito em cada dez aparelhos de som só saem das lojas a partir do aval da ala jovem do lar. A fabricante de eletrodomésticos Arno não faz nada sem pensar nos mais novos, pois, na comum ausência das mamães trabalhadoras, é a garotada quem usa espremedores de fruta, tostadores de pão, sanduicheiras e liquidificadores. "Hoje, vendemos tanto para os filhos como para as donas-de-casa", conta Mauro de Almeida, gerente de comunicação da Arno, que mantém duas escolinhas de gourmet para cativar consumidores desde a pré-adolescência.
Essa influência é exercida já em tenra idade. Nos dias de hoje, um indivíduo é considerado consumidor aos 6 anos. Nesse momento as crianças começam a ser ouvidas na hora de tirar um produto das prateleiras do supermercado. Para cada dez crianças de até 13 anos, sete pedem itens específicos às mães. O poder jovem também se nota na hora de esvaziar o carrinho no caixa. Um quarto do que é registrado foi pedido pela garotada. "Nós educamos as crianças e os jovens para que tenham autonomia, opinião, poder de decisão. Pois é, eles aprenderam e decidem o que comprar por nós", ironiza Rita Almeida, especialista em tendências e hábitos de consumo de adolescentes da agência de propaganda AlmapBBDO.
 
Entrevista
 O problema não é comprar
A jornalista americana Alissa Quart, autora de um
livro sobre hábitos de compra dos adolescentes,
fala do consumismo juvenil

Divulgação

Veja – O jovem é um consumista?
Alissa Quart – 
Todo mundo é consumista, em maior ou menor grau, adultos ou adolescentes. Em 2001, os jovens gastaram 155 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Em média, o adolescente americano gasta 60 dólares por semana do próprio dinheiro. Apenas 56% desse valor vem da mesada dos pais. O restante ele ganha sozinho, normalmente trabalhando em empregos de meio período.

Veja – Por que os jovens estão comprando produtos de luxo?
Alissa – 
Porque nos últimos anos as empresas adotaram a estratégia de direcionar esses produtos para os jovens. Esse avanço foi influenciado pelo estilo de vida dos astros de rap e hip hop, que valorizam esses produtos em sua música e em sua vida pessoal. Marcas caras, como Louis Vuitton, tornaram-se símbolos de cultura popular. O interesse por esses símbolos de status também cresceu bastante entre os adultos e, por conseqüência, entre seus filhos.

Veja – Por que os pais não tentam barrar essa avalanche de consumismo juvenil?
Alissa – 
Porque o consumismo não é considerado um problema. O que preocupa é se as filhas vão engravidar ou se os filhos vão se viciar em crack. Nesse contexto, consumir é inofensivo. O consumo é visto como uma conquista do adolescente, sua primeira inserção no mundo adulto. Os pais dão mesadas aos filhos como uma preparação para a responsabilidade de ter o próprio dinheiro. Na verdade, o consumismo só se torna realmente perigoso quando assume proporções exageradas.

Veja – Como mostrar a um adolescente que um produto de luxo que ele deseja comprar está fora da realidade?Alissa – Pais e filhos deveriam tentar um olhar crítico em relação à mídia e à publicidade. Não é fácil, pois o marketing moderno utiliza-se de técnicas sutis para atingir os jovens. É comum nos Estados Unidos "infiltrar" num shopping center adolescentes usando marcas de grife. A idéia é estimular seus amigos a comprar aqueles produtos. Os pais não devem apenas dizer não. Precisam também estar atentos às técnicas para induzir as compras.

 
 
   
 

Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/jovens_2003/p_080.html

Bianca Bicho dos Reis, nº 04     2º EM